Força e Coerção

Provavelmente, quem tem menos de 50 anos nunca tenha visto, sentido ou possuído em casa o instrumento abaixo. Os mais novos podem até crer que este é um utensílio doméstico, da cozinha da “Nona”. Mas não é. É uma palmatória.

A palmatória foi trazida pelos jesuítas para ser utilizada na colonização e catequização dos índios; também foi usada, posteriormente, para disciplinar os escravos rebeldes e, por fim, como instrumento “pedagógico” para as crianças.

À época, alguns atribuíam ser fundamental a palmatória para a geração de crianças obedientes, menos irrequietas, mais contidas e caladas, sabendo se comportar e atender os pais e os mais velhos, e isso era considerado respeito.

Muitas vezes, bastava apenas ter uma palmatória como objeto de decoração, pendurada na parede da casa, que já simbolizava mais segurança aos pais, e filhos mais dóceis.

Obviamente que, sempre aos olhos do executor, o instrumento só era usado raramente,  com muita parcimônia, de maneira justa, um remédio necessário, antes que o mal se instalasse, pois “pau que nasce torto se endireita”, diziam. Já quem recebia o castigo, compreendia rapidamente a lei do mais forte, pois um simples olhar ou questionamento indevido  poderia chamar a atenção e o uso se fazia necessário.

Eurípedes Barsanulfo, em 1902, foi um dos fundadores do Liceu Sacramentano, que, posteriormente, passou a se chamar “Colégio Allan Kardec”, local onde ofereceu estudo e formação, introduziu artes, incentivou a formação de salas mistas (meninos e meninas) e, principalmente, o processo de aprendizagem sem o uso de punição e castigo, abolindo a palmatória, conquistando o respeito, justamente por respeitar a todos, e incentivando os alunos a criarem grupos de assistência social, independentemente da religião, desenvolvendo, assim, a capacidade afetiva e emocional, com um olhar para fora de si, longe dos problemas individuais, preocupado com o coletivo.

Em 01 de novembro de 2018, completará 100 anos da desencarnação de Eurípedes Barsanulfo, e ele continua a nos fazer pensar e aprender sobre amor, educação, liberdade, medo,  respeito, e que sobre “pau que nasce torto”, a reencarnação lembra que somos todos nós.

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