Espiritismo e o Centro Espírita – O que é (parte 1/2)

Convidamos você a conhecer um pouquinho sobre o Espiritismo.

Cremos em Deus, nosso Pai e Criador, e em Jesus, nosso guia e modelo. Respeitamos todas as opiniões, toda diversidade humana e sua pluralidade cultural e procuramos nos aproximar da Verdade, através dos ensinamentos de O Evangelho Segundo o Espiritismo e das demais obras codificadas por Allan Kardec. Estudando e vivenciando, aprendemos que o mundo melhora à medida que nos melhorarmos e virmos na caridade um dos caminhos, amando o próximo, sem julgamento, sem distinção, e ficando feliz com sua felicidade, pois nosso objetivo é evoluir nosso Espírito, servindo ao Criador em toda extensão da Sua criação.

1 – Como surgiu o Espiritismo?

O Espiritismo, ou Doutrina Espírita, surgiu através de pesquisas sobre fenômenos produzidos pelos Espíritos, habitantes do mundo espiritual, que já deixaram a vida terrena pela ocorrência biológica da morte do corpo físico. Utilizando-se do método de observação de tais fenômenos, conhecidos desde os tempos mais remotos, conceituado professor francês interessou-se por estudar esses acontecimentos com o critério da imparcialidade e, principalmente, da concordância existente entre as informações obtidas, simultaneamente, por médiuns desconhecidos entre si, de diferentes partes do mundo.

2 – Quem foi Allan Kardec?

Allan Kardec é o pseudônimo do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em Lyon, França, a 3 de outubro de 1804, influente educador, poliglota, tradutor e autor de vários livros didáticos utilizados pelo governo francês; ao organizar a Codificação Espírita, adotou o pseudônimo Allan Kardec para separar suas obras educativas do resultado colhido nas informações trazidas pelos Espíritos. Como educador poliglota, falava alemão, inglês, italiano, espanhol e holandês. Traduziu para o alemão obras de autores clássicos franceses, especialmente os escritos de Fénelon. Fundou em Paris, com sua esposa Amélie Gabrielle Boudet, um estabelecimento de ensino semelhante ao de Yverdon (fundado e dirigido pelo educador Pestalozzi).

3 – Quais as bases do Espiritismo?

A Doutrina Espírita estrutura-se na fé raciocinada e no Evangelho de Jesus, com sólidos fundamentos nos seguintes princípios: a) Existência de Deus; b) Imortalidade da alma; c) Pluralidade das existências ou reencarnação, impulsionadora da evolução; d) Comunicabilidade dos Espíritos através da mediunidade, capacidade humana de intercâmbio entre os dois planos da vida; e) Pluralidade de mundos habitados.

 4 – Espiritismo é uma ciência, filosofia ou religião?

Ele engloba os três aspectos. É ciência que investiga e pesquisa; é filosofia que questiona e apresenta diretrizes para reflexão e é uma religião na prática da fraternidade, do real sentimento de amor ao próximo, tendo, como regra de vida, a caridade em toda a sua extensão, enfim, uma religião Cristã.

5 – O Espiritismo proclama a crença em Deus, ou nos Espíritos?

O Espiritismo prega, através de uma convicção firmada na fé raciocinada, na lógica e no bom senso, a existência de Deus como inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas, sendo Ele misericordioso, justo e bom, e vem confirmar a imortalidade da alma. Segue os ensinamentos racionais e coerentes dos Espíritos de ordem superior e, principalmente, os de Jesus como único caminho para a evolução espiritual, baseados na caridade, em todas as suas formas, através do amor ao próximo.

6 – Espírito é “coisa” do mal?

A expressão provém do desconhecimento sobre o tema. Espíritos somos todos nós, tratando-se apenas de uma questão de nomenclatura. Podemos usar outros termos, mas nós, Espíritos, somos simplesmente filhos de Deus.

7 – O tempo de vida de um Espírito é igual ao de um corpo?

O Espírito é imortal e, como criação de Deus, nunca mais deixará de existir, em continuado processo de aprendizado e experiência. O corpo é instrumento temporário de que se utiliza para aprender e evoluir.

8 – Existe diferença entre Espírito e alma?

As duas palavras apenas diferenciam a condição em que o Espírito se encontra. É denominado Espírito quando está habitando o plano espiritual; alma, quando está encarnado.

9 – Meu anjo protetor é um Espírito?

Sim, o anjo protetor ou anjo da guarda é um Espírito mais esclarecido, mais maduro. Cumpre a função como a de um pai a orientar o filho ou seu pupilo.

10 – O Espiritismo acredita nos princípios cristãos?

Como já dissemos, Jesus é a maior referência do Espiritismo. Não se trata de crença, mas de absoluta sintonia com os ensinamentos do mestre da humanidade, como regra de orientação para que todos nós alcancemos a felicidade, através de nosso próprio esforço.

 11 – Bem, se acredita em Jesus, considera os apóstolos como santos?

Os apóstolos são colaboradores de Jesus. Santo é uma expressão utilizada para definir alguém que já alcançou elevado estágio de amadurecimento e bondade, representando a grandeza de Jesus. A palavra pouco importa, o que vale é o nível moral daquele a quem consideramos. Em muitas crenças, essas personalidades são representadas por imagens ou estátuas, mas o que vale e permanece são o estágio moral e o exemplo de vida.

12 – Velas ou imagens são utilizadas no Espiritismo?

O Espiritismo não utiliza qualquer tipo de artefato ou recurso material para representar sua prática, que é toda voltada ao sentimento de amor e de caridade. Nenhum ritual ou apetrecho material, ou mesmo imagens representativas, são utilizados na prática espírita.

13 – Oferendas ou sacrifícios fazem parte do Espiritismo?

Não há qualquer tipo de sacrifício ou de oferenda, exceto o sacrifício próprio do orgulho, do egoísmo e da vaidade, buscando a melhoria moral e o bem do próximo.

14 – Se não há nenhum recurso material como faço para rogar auxílio?

Através da prece humilde e sincera. É a sintonia pelo pensamento, pelo sentimento, que estabelece as condições. O Espiritismo preconiza o desapego dos recursos materiais, pois quando desencarnarmos, não irá nenhum material conosco, a única coisa que levaremos é a nossa bagagem interior.

15 – O que é reencarnação?

É o processo sábio das leis de Deus, que estabelecem um dinâmico processo de evolução e aperfeiçoamento aos Espíritos, que somos todos nós. A reencarnação também é, antes de tudo, a caridade de Deus para conosco, Seus filhos, abrindo contínuas oportunidades de amadurecimento e aprendizado e, ao mesmo tempo, de reparação de nossas faltas. Renascemos com a bênção do esquecimento para que não fiquemos travados pela consciência de culpa e outros traumas, a reencarnação altera o panorama e a perspectiva do Espírito, possibilitando-lhe recomeçar de onde se equivocou, reparando seus erros e continuando a amadurecer nas experiências, crescendo constantemente.

16 – No processo reencarnatório, existe a possibilidade de reencarnarmos ao acaso?

Não. O Espiritismo não acredita no acaso, como também não acredita em destino. Todos nós temos uma finalidade, trazemos talentos armazenados ao longo das encarnações e agimos de acordo com nossa vontade, nossa escolha. Renascemos no lugar certo e na família certa. Deus, em sua infinita misericórdia, proporciona a todos nós recursos necessários para evoluirmos, superarmos as dificuldades e construirmos um futuro melhor, individual e coletivamente.

17 – E qual seria a finalidade de cada um de nós?

 Evoluir. Instruindo-nos e amando. Ajudando no progresso da coletividade. Quando nos dispomos a ajudar, saímos de nós e vamos em direção ao outro, não no sentido de dirigir ou viver a vida do outro, mas de conviver junto com o outro, respeitando os limites, ampliando os conhecimentos e aprendizados, e isso sem barganhas, mas com sentido de comunhão, de partilha, de doar o nosso melhor. Estamos todos em evolução, ora por esforço próprio, ora por contingenciamento da vida. E somos todos aprendizes em um planeta que também está em evolução, que compartilha conosco o seu melhor o tempo todo e precisa de nossa ajuda.

18 – Os Espíritos podem interferir na minha vida a ponto de comandar a minha rotina?

É muito grande a influência dos Espíritos sobre a vida humana, mas a responsabilidade sobre nossa rotina é exclusivamente nossa, pois o grande detalhe é que essa influência – seja benéfica, provinda de bons Espíritos, ou prejudicial, quando advinda de Espíritos equivocados – é determinada por nossos pensamentos, por nossas escolhas, atitudes e virtudes morais. Somos nós que permitimos a boa ou a má influência, pelo comportamento que adotamos perante a vida.

19 – Por que Deus permite essa influência?

Primeiramente, porque não somos máquinas ou robôs, somos criaturas em aprendizado, com senso moral e conteúdos intelectuais, emocionais, psicológicos e habilidades variadas, além de sermos detentores de vontade própria e de liberdade para agir. Na influência entre os Espíritos, estejam encarnados ou desencarnados, há aprendizado mútuo e forte estímulo para superação das imperfeições morais.

20 – O que é livre-arbítrio?

É justamente a liberdade para agir, o poder de escolha, a capacidade de decidir. Mas, embora abrangente, ele é relativo e é por meio dele que nos sintonizamos com ideais nobres ou com planejamentos mal intencionados. Esse poder de escolha é que irá determinar nossa tranquilidade ou agonia no futuro. “A semeadura é livre, mas a colheita, obrigatória.”

21 – Você diz “A semeadura é livre, mas a colheita, obrigatória.” Isso é a lei de causa e efeito?

Sim. Partindo do princípio de que Deus é soberanamente justo e bom e que ama indistintamente todos os Seus filhos, essa lei nada mais é do que um aprendizado, com o intuito de fazer com que o homem vivencie as consequências das atitudes que tenha cometido nesta ou em outra vida, o que lhe proporcionará crescimento e aprimoramento moral. Não é um castigo de Deus, mas um exercício prático, num processo educativo de nossa evolução.

 Continua no próximo post.

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Post Author: ideeditora

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