A Morte de Entes Queridos

A morte para todos nós é algo inesperado.

Independente de nossa fé, religião, ou ateísmo, a morte sempre acaba por nos surpreender, principalmente quando ocorre ao nosso lado, levando quem muito amamos, provocando um turbilhão de emoções, deixando um vazio imenso, uma fragilidade exposta a uma dor nunca sentida. E questionamos nosso íntimo em busca de explicações e respostas.

O médium Francisco Cândido Xavier foi muito abordado sobre o tema, respondendo a perguntas de muitos jornalistas, e principalmente confortando e esclarecendo aqueles que o procuravam em tão difícil momento de suas vidas.

Assim, elaboramos algumas passagens sobre o tema em que Chico Xavier nos esclarece com muito carinho e respeito, longe de tentar responder a todos os questionamentos do momento, mas com a simplicidade e o amor de quem deseja confortar.

 

Comentários de Chico Xavier sobre

A MORTE DE ENTES QUERIDOS

 

1 – Chico, qual a sua maior tristeza?

– As minhas tristezas são aquelas que perturbam a existência de qualquer criatura terrestre, principalmente as separações pela desencarnação dos entes queridos e as incompreensões de que todos nós partilhamos sobre a Terra. Devo, porém, acrescentar que o amparo dos Bons Espíritos tem sido sempre tão grande em meu caminho, que, a falar verdade, nunca sofri uma tristeza que pudesse admitir fosse maior que a dos outros. Isso porque, quando chega o momento das provações que mereço, para resgate de minhas existências do passado ou para correção das minhas faltas do presente, os Amigos Espirituais me aconselham a olhar para a retaguarda e sinto acanhamento de achar que estou sofrendo, quando vejo tantos irmãos em dificuldades muito maiores do que as minhas.

2 – Como encara a morte?

– Naturalmente que somos humanos e a despedida de um ente amado, mormente quando esse ente amado vai adquirir nova forma, de um modo geral se tornando invisível ao nosso olhar comum, a nossa dor é imensa.

Quando vemos partir, por exemplo, um filho para uma terra distante, quando sofremos a prova da separação de ente querido, mesmo na Terra, sofremos compreensivelmente, de vez que o amor vem de Deus e quando amamos, queremos perto de nós a criatura querida.

Ainda sabendo que a morte vem de Deus, quando nós não a provocamos, não podemos, por enquanto, na Terra, receber a morte com alegria porque ninguém recebe um adeus com felicidade, mas podemos receber a separação com fé em Deus, entendendo que um dia nos reencontramos todos numa vida maior e essa esperança deve aquecer-nos o coração.

Cabe-nos superar o sofrimento da morte fazendo por aquele, ou aquela, que parte, aquilo que eles estimariam continuar fazendo, e nunca entregar-nos ao choro improdutivo, ao luto que nada produz, mas, sim, prosseguir na tarefa daqueles nossos entes amados que partiram, unindo a eles o nosso pensamento e o carinho através do espírito de serviço, reconhecendo que eles continuam vivendo e, naturalmente, nos agradecerão a conformidade e o concurso amigo que lhes possamos oferecer para que a vida deles na Terra seja devidamente complementada.

3 – Os Espíritos informam, mestre Chico Xavier, se as pessoas que morrem recebem assistência no outro mundo?

– Não há ninguém desamparado. Assim como aqui na Terra, na pior das hipóteses, renascemos a sós, em companhia de nossa mãe, mas nunca sozinhos, no mundo espiritual também a Providência Divina ampara todos os Seus filhos.

Ainda aqueles considerados os mais infelizes, pelas ações que praticaram e que entram no mundo espiritual com a mente barrada pela sombra, que eles próprios criaram em si mesmos, ainda esses têm o carinho de guardiães amorosos que os ajudam e amparam, no mundo de mais luzes e mais felicidade.

4 – Chico, eu gostaria de fazer uma pergunta muito pessoal. Eu perdi meu pai, há dois anos. No começo, eu chorava demais e diziam que a gente não devia chorar porque perturbava o Espírito dele. A partir daquilo, eu passei a chorar menos e a pensar mais nele. Senti que, realmente, isso me trouxe mais tranquilidade. Acha você que quando a gente chora muito por um ente que nos deixou aqui, perturba o seu Espírito?

– Geralmente, quando partimos da Terra, partimos em condições difíceis, sempre traumatizados por violenta saudade e essa saudade também fica do lado de cá.

Se persistirmos nas impressões de dor negativa, cultivando angústia interminável, isso se reflete sobre a pessoa que nós amamos.

Sem dúvida, o parente é nosso, a lágrima é uma herança nossa, sofremos e choramos, mas sempre que pudermos chorar escorados na fé em Deus, escorados na certeza de que vamos nos reencontrar, isso tranquiliza aquele ente querido que espera de nós um diálogo pacífico.

Creio que tudo aquilo que você fala com tanto amor, nas suas horas de maior sofrimento, ou que fala com tanto carinho, junto às relíquias de seu venerado pai, tudo isso o alcança, pelos mais belos sentimentos, porque vocês estão ligados.

5 – Chico, você acredita que, com base no que aprendeu em mais de 50 anos de mediunidade, existe a possibilidade de as pessoas se encontrarem após a morte?

Tenho aprendido que todos aqueles que realmente se amaram reciprocamente, se encontram novamente, e num amor de nível superior, não no amor possessivo que nós habitualmente conhecemos.

Aqueles que partiram antes de nós, na maioria das vezes, renunciam a posições mais altas para permanecerem junto de nós, escorando nosso coração, para que possamos suportar a carga benéfica de nossas obrigações. Estamos sendo apurados na moenda do sofrimento aqui na Terra. Isso é muito natural.

6 – Embora já tenha sido objeto de resposta de sua parte, por ocasião de apresentações suas em programas de televisão, você poderia dizer nesta reportagem, o que você vê na morte e o que ela representa para você, Chico Xavier?

– A morte, a meu ver, é mudança de residência sem transformação da pessoa, porque a vida continua com tudo aquilo que colocamos dentro de nós; seja o bem, ou seja a ausência do bem, aquilo que nós denominamos o mal. Nós passamos para outra vida, com aquilo que fizemos de nós mesmos.

– E você acha que já está preparado se a morte lhe surpreender subitamente? Nós devemos também nos preparar durante nossa vida terrena para esse momento?

– Penso que a vida inteira é uma preparação para o fenômeno da morte. Agora, no meu ponto de vista pessoal, não me sinto com qualidades para adquirir uma situação de destaque além da morte, sendo que devo praticar o espírito de aceitação. Comparecerei diante da morte, no estado em que for chamado, fazendo o que posso, sem nunca ter feito o que deveria, porque o que deveria fazer é ainda a meta que eu procuro alcançar e da qual ainda me sinto muito longe.

7 – Eu faço apenas uma pergunta, servindo de portadora da mesma. Uma senhora perdeu um filho há um ano e durante esse ano inteiro essa senhora tem chorado, tem penado dores incríveis, numa inconformação absoluta por essa perda. Ela, muito aflita, me pede que lhe pergunte se essas lágrimas, se toda essa dor, esse sofrimento podem prejudicar, de algum modo o seu filho.

Chico Xavier – Em outros casos semelhantes, temos recebido o esclarecimento de que essa dor, essa dor estranha na alma inconformada daqueles que ficam, prejudica muito e, às vezes, de maneira intensa, aos corações amados que nos precedem na Vida Espiritual. Seria tão bom que essa mãe generosa pudesse entregar o filhinho a Deus, de quem ela recebeu esse mesmo filho, a fim de protegê-lo e orientá-lo neste mundo! E estamos certos de que ela, procurando reencontrá-lo entre tantas outras crianças que aí estão necessitadas, rapazes mesmo que precisam de benfeitores paternais e maternais, essa abençoada mãezinha estará extinguindo a dor dela no caminho desse filho, que deve, naturalmente, se afligir.

Peçamos a Deus para que ela tenha bastante serenidade e que, na condição de mãe, na grandeza maternal de todas as mães, ela possa continuar auxiliando e abençoando o filho que partiu no rumo da Vida Maior.

8 – Como a Doutrina Espírita explica a vida e a morte?

– Pela fé, viemos de Deus. Nossos pais nos receberam da Divina Providência e nos matricularam com um nome x. O nome que temos não é este, é apenas o nome que nossos pais nos deram no Cartório. Vivemos aqui durante um tempo como quem está internado num colégio. O corpo é a carteira em que sentamos para estudar. Amamos, brigamos, mas saímos sempre aprendendo alguma coisa e vamos para o lar de onde viemos, que é o mundo espiritual. Aqui, nossos bisavós, trisavós, todos já passaram. Ninguém se lembra da morte porque ela não existe. A vida é espiritual e vai chegar o dia de nossa partida. É como um amigo escreveu um dia: “Quando você chegou, todos riram de felicidade. Viva de tal maneira que quando você partir, todos chorem.”

9 – Ama a vida?

Imensamente. Acho que a vida é um dom de Deus e se nós descobrirmos, se procurarmos descobrir a vontade de Deus, vamos ver que a Bondade de Deus está em toda a parte e não temos motivo nenhum, em tempo algum, de acalentar qualquer desânimo no coração porque Deus como que nos manda, a cada manhã, o sorriso maravilhoso do Sol como a dizer que espera por nós, que nos tolera, que nos ama, que nos descerrará novos caminhos, que a vida é boa e bela, que devemos agradecer, cada dia mais, o dom de viver e o dom de amar aqueles e aquilo que nós amamos, sejam nossos pais, esposa, esposo, filhos, amigos, parentes, companheiros, tarefas e ideais.

A vida está repleta da beleza de Deus e por isso não nos será lícito entregar o coração ao desespero, porque a vida vem de Deus, tal qual o Sol maravilhoso nos ilumina.

10 – Chico, qual seria uma legenda sublime para a vida?

O Espírito de Emmanuel, nosso Guia e Amigo Espiritual, desde muito, repete para nós outros, e eu não posso dizer que tenho dito, pois seria pretensão. Mas, eu me recordo com frequência de que se nós pudéssemos colocar uma legenda à frente de cada agrupamento humano, de cada conjunto residencial, de cada cidade, de cada aldeia, de cada metrópole, de cada grande capital do progresso humano, se nós pudéssemos, se tivéssemos bastante autoridade para isso, escolheríamos aquela frase de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando ele nos disse: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.” Porque não é só o “amai-vos uns aos outros”; nós podemos amar uns aos outros, mas como Jesus nos amou, ou seja, sem espírito de remuneração, sem espírito de pagamento algum, de retribuição alguma, e, sim, com espírito de sacrifício e de renúncia. Porque quem ama não cria problemas e quem ama sabe viver sem pedir coisa alguma à criatura amada. Esse é o amor que Jesus nos legou

(Este livreto é uma iniciativa do Instituto de Difusão Espírita – Ide Editora, tem como distribuição gratuita através do telefone (19) 3543.2400 ou para download completo no site ideeditora.com.br, na área de download)

 

Post Author: ideeditora

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